
"Têm início no próximo dia 23, as comemorações do Centenário da Inauguração da Linha do Vouga, no âmbito das quais é promovido um vasto programa de actividades que se prolongam durante um ano.
Estas comemorações são uma iniciativa da CP, REFER, Fundação do Museu Nacional Ferroviário e das Câmaras Municipais da área de influência da Linha do Vale do Vouga ? Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e São João da Madeira.
A Linha do Vouga, que liga Espinho a Aveiro, apresenta uma dinâmica crescente: os comboios movimentaram 383 mil passageiros nos primeiros sete meses de 2008, o que representa um crescimento de 17,5 por cento face a igual período de 2007.
O centenário, a importância para as populações abrangidas e o bom desempenho operacional desta linha levaram várias entidades do sector ferroviário e autarquias locais a reunir esforços para o desenvolvimento de diversas iniciativas.
Além do programa estabelecido para o próximo dia 23 de Novembro, realizam-se durante os 12 meses seguintes diversas actividades, como uma exposição itinerante nos sete concelhos envolvidos, acções de sensibilização para a segurança ferroviária, viagens promocionais, descontos em passagens e um fórum sobre o futuro da Linha do Vouga e o desenvolvimento regional.
Os comboios da Linha do Vouga serão decorados com o logótipo das comemorações. Está também prevista a edição de um catálogo da exposição e de um livro sobre o Centenário, e a produção de um jogo alusivo destinado ao público mais jovem.
Inaugurada por D. Manuel II
A Linha do Vouga, no seu primeiro troço (Espinho - Oliveira de Azeméis), foi inaugurada em 23 de Novembro de 1908 por D. Manuel II.
Apesar de planeada em 1877, só a 23 de Maio de 1901 foi concedida a Frederico Pereira Palha ? ou à companhia por ele organizada ? autorização para construir e explorar um caminho-de-ferro de via reduzida que, partindo de Torredeita, no ramal de Santa Comba Dão a Viseu, se estendesse até Espinho e daí, por Sever do Vouga, até Aveiro, estabelecendo ligação com a Linha do Norte.
Em 1906, a concessão foi transferida de Frederico Pereira Palha para a Compagnie Française pour la Construction et Exploitation des Chemins de Fer à L?Étranger.
Foi esta companhia que, em 21 de Dezembro de 1908, abriu à exploração o troço Espinho - Oliveira de Azeméis, concluindo-se a linha em 5 de Fevereiro de 1914, com a chegada a Bodiosa.
Em 1923, a assembleia-geral desta companhia aprovou a sua nacionalização, dando origem, em 1 de Abril de 1924, à Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, proprietária da Companhia dos Caminhos de Ferro do Vale do Vouga.
Na sequência de um processo global de unificação da exploração ferroviária, a Companhia do Vale do Vouga, a Companhia Nacional e a Companhia da Beira Alta foram integrados na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.
À época da sua construção, a Linha do Vouga foi considerada o mais importante investimento naquela região, do ponto de vista social e económico. Com efeito, o transporte de mercadorias era então realizado por via fluvial ? rio Vouga.
Mas a obra enfrentou diversas dificuldades, relacionadas com as características geográficas da região, bastante acidentada, o que obrigou à construção de imensas curvas. A linha ficou mesmo conhecida como ?Linha do Vale das Voltas?.
Esta linha, que se desenvolve entre a estação de Espinho-Vouga e Aveiro numa extensão de 96,2 quilómetros, é servida por 13 estações e 32 apeadeiros, e atravessa 33 pontes e três túneis.
Comemorações arrancam a 23 de Novembro
As comemorações do Centenário da Linha do Vouga iniciam-se no próximo dia 23 de Novembro, em Espinho, pelas 9h00, com o descerramento de uma placa comemorativa na estação, seguida de viagem de comboio até Oliveira de Azeméis.
Em Santa Maria da Feira, com chegada às 10h30, realizar-se-á na Igreja Matriz uma missa promovida pelos ferroviários e diversas actividades de entretenimento.
Pelas 12h20, já em São João da Madeira, serão visitadas as obras de requalificação do Centro Coordenador de Transportes, seguindo-se um almoço de confraternização neste local.
O primeiro dia de comemorações leva-nos, por fim, a Oliveira de Azeméis (14h35) onde será feita a recriação da visita de D. Manuel II a esta cidade. Seguir-se-á um percurso a pé até à nova galeria municipal, palco da inauguração da Exposição do Centenário da Linha do Vale do Vouga (15h15), mostra que percorrerá os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro.
Neste dia, as viagens nos comboios entre Espinho e Oliveira de Azeméis serão gratuitas.
12 de Novembro de 2008"
Fonte: CP, E.P.
«Algum tempo após a publicação do meu
trabalho acima referido, tive conhecimento que o percurso espanhol entre Madrid e Badajoz, passando por Talavera, Cáceres e Mérida (actualmente com a extensão de 461 Km) deverá ficar mais comprido do que eu previa rondando, agora, os 430 Km; o que vem confirmar a ideia que os espanhóis não estão interessados na muito alta Velocidade, contentando-se - e bem - com a velocidade Elevada e que a Ministra do Fomento chamou de "altas prestaciones" para contento dos pacóvios de cá e de lá.»
Henrique Oliveira e Sá confirma
neste texto, mais uma vez, aquilo que eu
aqui já tinha alertado. Este facto vem tornar ainda mais imprescindível a ligação Porto-Braga-Vigo. Será a única via de ligação minimamente competitiva à rede ferroviária transeuropeia que restará a esta região.
António Alves

Como qualquer pessoa com alguns conhecimentos sobre caminho-de-ferro já concluíra, tudo indica que a linha Lisboa-Madrid não será em alta velocidade (350 km/h) mas sim em velocidade elevada (250 km/h). Os espanhóis no seu plano de infra-estruturas (PEIT) sempre classificaram a ligação a Lisboa, via Badajoz, como uma linha para tráfego misto. Ora, como não existem linhas para tráfego misto que comportem, por razões técnicas e de manutenção demasiado dispendiosa, comboios de alta velocidade, um silogismo simples concluiria que os espanhóis nunca estiveram interessados em construir um ?TGV? entre Madrid e Lisboa. Aliás, nem sequer é Lisboa que lhes interessa. Interessa-lhes sim valorizar o papel de Badajoz enquanto porta de entrada na Lusitânia e o acesso à face atlântica desta para as suas mercadorias. Só cá é que se convenceram (ou quiseram convencer-nos) que teríamos um ?TGV para nos ligar à Europa?. Segundo os planos do governo, vamos mesmo cair no ridículo de construir duas linhas até Badajoz ( a do ?TGV? e uma para comboios de mercadorias de Sines a Badajoz) e depois todos os comboios, sejam eles de mercadorias ou ?TGV?s?, passarão a circular na mesma via Espanha adentro. Porque é que ainda nenhum deputado (de preferência do Norte) pediu ao governo uma justificação para o facto de sendo a linha do ?TGV? Lisboa-Badajoz para tráfego misto, isto é, para comboios de mercadorias e passageiros, qual é a necessidade de duplicar infra-estruturas construindo uma linha só para mercadorias?
Ora bem, se o ?TGV? Lisboa-Madrid a 350 km/h já seria praticamente inútil para cerca de metade dos portugueses, aqueles que vivem a norte de Coimbra, agora, com velocidades de 250 km/h, ainda pior. Ninguém que viva em Braga estará interessado em descer 350 km/h para sul e depois fazer mais 700 km (200 km para leste e mais 500 km de novo em direcção ao norte) para chegar a Madrid. Se olharem para um mapa repararão facilmente que Madrid se encontra sensivelmente à latitude de Coimbra. Será sempre mais barato ir de avião ou até de automóvel. Mas o tráfego de passageiros nem sequer é a variável mais importante. A variável mais importante é o escoamento das nossas exportações por caminho-de-ferro.
É sabido que o grosso das exportações portuguesas para a Europa têm origem nas Regiões Centro e Norte. Se nada for feito, e a ligação Lisboa Madrid for a única, que como tudo indica, a ser construída, as exportações destas regiões sofrerão um agravamento de custos pela distância superior e maior consumo de tempo que obrigatoriamente suportarão se tiverem que continuar a utilizar a Linha da Beira Alta que é em bitola ibérica e sem tracção eléctrica a 25 KV do lado espanhol, o que provoca inconvenientes rupturas de carga com as respectivas ineficiências.
A nossa região terá que estar muito atenta e exigir terminantemente a construção duma via ferroviária em bitola europeia que a ligue ao eixo estratégico de Salamanca-Vlladolid, seja ela a já quase virtual ligação Aveiro-Salamanca ou a reactivação da ligação pela Linha do Douro. Se esta região não perceber a importância estratégica deste desiderato arrisca-se a ficar ainda mais isolada no contexto ibérico e europeu e exclusivamente dependente da ligação através da Galiza. Que é importante, mas para outras valências que não esta.
Hoje, no programa ?Antena Aberta? da RTP-N, ouvi o economista Camilo Lourenço dizer que era contra o ?TGV?, mas a única hipótese que admitia, em último caso, seria o ?TGV? Lisboa-Madrid e nunca o Lisboa-Porto. Tenho ouvido esta opinião a muitos plumitivos de Lisboa e até em gente do Norte. Nada mais provincianamente ridículo, principalmente vindo da boca de um economista. Esta posição baseia-se apenas no facto de essa ligação se efectuar entre duas capitais. Se existe ligação minimamente sustentável para um ?TGV?, porque o tráfego que gera será sempre muito superior, é o Lisboa-Porto e não Lisboa-Madrid. Os próprios estudos da RAVE o provam. Mas, como ele, eu também sou contra o ?TGV?. Para o transporte de passageiros uma boa rede de ?altas prestaciones? seria suficiente.
Sobre este assunto recomendo a leitura de um pertinente trabalho de Henrique Oliveira e Sá publicado no Maquinistas.Org.
A vermelho são as linhas de alta velocidade exclusivamente para tráfego de passageiros
Ontem, na secção Economia do
Público, vinha
uma peça do Carlos Cipriano que talvez tenha passado despercebida. Nela diz-se que a ministra espanhola Magdalena Alvarez, responsável pelo Ministério de Fomento, confirma o atraso no TGV Lisboa-Madrid, admitindo mesmo que não será concluída na presente legislatura, que termina em 2012. A ministra não adianta, inclusivamente, nenhuma data para a sua conclusão.
Na mesma peça, Carlos Cipriano levanta a dúvida sobre o tipo de linha em causa. É que os espanhóis referem-se a esta linha como sendo de ?altas prestaciones?, conceito que para eles implica que seja de tráfego misto e com velocidades em torno dos 220 a 250 km/h, como aliás há muito apresentam no seu famoso
Plano Espanhol de Infra-estruturas (PEIT).
No mundo da ferrovia sempre se estranhou que em Portugal se falasse na construção duma via ferroviária de alta velocidade (350 km/h) para tráfego misto ? i.e., uma via onde circulassem simultaneamente comboios do tipo TGV e comboios de mercadorias com cargas até 25 toneladas por eixo. Até hoje ainda ninguém, por motivos técnicos e económicos, se meteu em tal aventura. Andam por cá a vender-nos gato por lebre (ando a dizer isto há anos!), ou então o governo português vai mesmo construir uma linha para 350 km/h até Badajoz seguindo os comboios daí para a frente a 250 km/h até Madrid. Sempre poderão dizer que Lisboa tem uma linha de TGV - totalmente inútil, mas essa glória ninguém lha poderão tirar.
Um governo esclarecido preocupar-se-ia menos com TGV, estaria a ultimar um verdadeiro Plano Ferroviário Nacional, que incluisse uma operação - esta sim verdadeiramente estratégica - para a mudança de bitola (da ibérica para a europeia) até 2020, a construção de uma rede de velocidade elevada (220 km/h) que levasse o comboio a todas as capitais de distrito e permitisse o escoamento das nossas exportações pelo caminho-de-ferro. Neste campo a ligação ao nó estratégico de Medina Del Campo é fundamental. Mas isto seria num país a sério. Não no país do Sócrates, do Lello e da bola scolarica.
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