Realizou-se pelo 5.º ano consecutivo, a festa em defesa do caminho-de-ferro, desta feita em La Fuente de San Esteban / Boadilla (cerca de 70km de Vilar Formoso e da Barca d?Alva), estação charneira nas ligações de Salamanca à fronteira portuguesa, bem conhecida dos emigrantes na Europa Central oriundos do Norte de Portugal, pois aí tomavam (ou se apeavam d)o Sud-Express para seguirem somente na Linha do Douro. A construção desta ferrovia foi iniciada a partir do Porto para a Barca d?Alva em 1873 e de Salamanca a esta mesma localidade dez anos depois, foi inaugurada em toda a sua extensão com a conclusão da ponte sobre a foz do rio Águeda em 1887.
A união da cidade do Tormes a Vilar Formoso por Ciudad Rodrigo, iniciou-se em 1881 e concluiu-se em 1884, sendo esta a única via actualmente em funcionamento, unicamente com o mesmo Sud-Express que na sua viagem entre Lisboa e Paris não satisfaz as gentes da raia, pois parte/chega (d)a Guarda 20h42/6,39 e de Salamanca 4h51/0h05 (hora espanhola), apesar das promessas da Cimeira Ibérica de Salamanca (2000), quanto aos projectos comuns de acessibilidades ferroviárias.
Mas o destino da Linha do Douro foi ainda mais cruel, pois o Governo espanhol encerrou o troço no seu território em 1985 e o português segui-lhe o exemplo entre Barca d?Alva e o Pocinho, amputando assim, uma via comprovadamente justificável pelo menos em termos turísticos e de transporte de mercadorias.
Neste contexto, tem vindo o movimento de cidadãos raianos Camino de Hierro /Caminho de Ferro -apoiado por algumas colectividades- a organizar encontros culturais ao longo do ano e que têm como corolário a Festa do Caminho de Ferro; recorde-se que este acontecimento foi o ano passado realizado na Barca d?Alva como contributo às comemorações dos 150 anos de Comboio em Portugal.
Foi escolhida a estação ferroviária de La Fuente de San Esteban/Boadilla para lembrar aos detentores dos cargos públicos espanhóis que a resolução do Senado (2005) onde foram aprovados 500.000 euros para a reutilização desta Linha para fins turísticos se não traduziu até ao momento em nada de concreto e o compromisso conjunto do Governo Central, Junta de Castela e Leão e Deputação de Salamanca no âmbito do Plano de Dinamização das Arribas, em recuperar uma parte da via (La Fregeneda ? Barca d?Alva), para além de parcial, contém fracas perspectivas reais na resolução do problema das necessibilidades.
Prevê ainda a elaboração de projectos para a recuperação das estações de Lumbrales, Hinojosa de Duero e La Fregeneda e outros elementos, que não fazem sentido sem uma afluência clara de visitantes, para além de acreditarem que isso só será possível através duma oferta lúdica e cultural global. Recorde-se que as aquelas duas primeiras estações ficam de fora do troço a reabilitar, mantendo-se a inexistência de ligação ferroviária desde Salamanca a La Fregeneda e vice-versa.
Esteve a festa concorrida de gente pois o dia esteve quente e ensolarado, onde se cumpriu com o programa estabelecido, ou seja, inauguraram-se as exposições El Camino Imposible a Portugal na sala das bilheteiras, La Vía Reinventada (fotografia, na antiga cantina), das maquetes em grande escala da Asociación Salmantina de Amigos del Ferrocarrilno cais, a projecção do audiovisual Camino de Hierro (numa outra sala) e as sempre desejadas actividades lúdicas (na via encerrada) com as engenhocas ferroviárias (Biclonetas, Mcflygth, Motorrail, Ferrociclo e Vagoneta), terminando com uma merenda no cais. Contou o evento com a participação de vários Alcaldes da zona e com a ausência (já habitual) de Presidentes de Câmara, que curiosamente (ou talvez não) dizem defender a reabertura do Caminho-de-ferro do Douro?!
No recital poético e musical esteve Portugal representado através da música e das canções de Carlos Paredes, Zeca Afonso, Vitorino, Camané, Rodrigo Leão, Paulo Bragança, Luís Represas, Lopes Graça, Fados de Coimbra, de Lisboa e da poesia, entre outros, de dois nomes grandes da raia, Guerra Junqueiro e Augusto Gil.
Guerra Junqueiro
A benção da locomotiva
A obra está completa. A máquina flameja, Desenrolando o fumo em ondas pelo ar. Mas, antes de partir, mandem chamar a Igreja, Que é preciso que um bispo a venha baptizar.
Como ela é com certeza o fruto de Caim, A filha da razão, da independência humana, Botem-lhe na fornalha uns trechos em latim E convertam-na à fé Católica Romana.
Devem nela existir diabólicos pecados, Porque é feita de cobre e ferro; e estes metais Saem da natureza, ímpios, excomungados, Como saímos nós dos ventres maternais!
Vamos, esconjurai-lhe o demo que ela encerra, Extraí a heresia ao aço lampejante! Ela acaba de vir das forjas d?Inglaterra, E há-de ser com certeza um pouco protestante.
**********
Augusto Gil
Em vagon
A chaminé vomita fumarada, A máquina assobia. Parto enfim. Na gare, ao longe a minha namorada Agita o lenço branco para mim.
Como rectas, traçadas a Nanquim Sobre um fundo cerúleo de aguada, Vejo no espaço, nítidas, assim, As linhas telegráficas da estrada.
O Sol, hóstia de luz resplandecente, Vai-se elevando gloriosamente Na abóboda vastíssima dos céus,
E dois choupos, batidos pelo vento, Curvam-se num ligeiro cunprimento, Cerimoniosos, a dizer-me adeus...
PLANO INTEGRADO PARA O NOVO AEROPORTO DE LISBOA, REDE DE TGV E TERCEIRA TRAVESSIA DO TEJO
Em termos gerais, o plano consiste no seguinte: o Novo Aeroporto localizado na margem Sul, na zona de Pinhal Novo, a Leste da auto-estrada A12, no entroncamento das linhas dos TGV do Porto e de Madrid, que entram conjuntamente em Lisboa, através de uma ponte entre Chelas (em Lisboa) e o Barreiro, com 3 modos de transporte: ferrovia convencional, TGV e rodovia, e com a estação do TGV localizada em Chelas. Comparativamente com outros planos já divulgados, este plano tem em comum com o plano da CIP o aeroporto ser localizado na margem Sul, e com os planos do Governo, a travessia do Tejo ser realizada através da ponte Chelas-Barreiro.
Duplo clique para ler
S. POMPEU SANTOS Engenheiro Civil Lisboa, Novembro de 2007
A maioria dos responsáveis da RAVE, que já passaram pela empresa, têm tido como vício de raciocínio pensarem a nova rede só do ponto de vista dos passageiros, quando a nova rede de bitola (distância entre carris) europeia deve ser projectada a pensar no transporte de mercadorias de Portugal para a U.E. o que não é possível através da rede existente de bitola ibérica. A Espanha vai construir linhas mistas de bitola europeia, que vão ser colocadas na nossa fronteira em 4 pontos: Vigo, Salamanca, Badajoz e Huelva, sendo a de Badajoz em AV e as restantes em VE. O país vizinho já decidiu que, no ano de 2020, toda a sua rede ferroviária convencional e de AV será exclusivamente em bitola standard. faça duplo clique no ícone para ler este artigo em PDF